Numa primeira instância, interessa-me a minha relação com o espaço, não estou a pensar em narrativa alguma – não preciso de um corredor porque o herói vai passar por um corredor. É isso que faz com que um espaço adquira uma presença e uma realidade. Só no segundo momento é que pensei no actor Filipe Duarte naquele espaço. Mas não sou senhor daquilo que sinto. Fica uma espécie de enigma com o qual vou trabalhando. Há planos em A Vida Invisível que são planos de um filme secreto, de um outro filme, que eu rodei para além daquele que estava a rodar, e que só depois, ao serem integrados, adquiriram sentido. Aconteceu muitas vezes a cena estar a ser feita num determinado sítio e eu pegar na câmara para filmar, por exemplo, árvores noutro sítio. É como se estivesse a filmar com o sentido em movimento, filmo nesse território.
segunda-feira, janeiro 27, 2014
quinta-feira, janeiro 23, 2014
quarta-feira, janeiro 08, 2014
And you have to accept that and shift your expectation to accommodate what you observe
I agree with you that photography is about perception of the world, even if we talk about photographers who stage work. But let’s focus on what we could call descriptive or documentary practice. The most interesting photographers in that field are those who manage to find a proper balance between perception and the idea. I was talking about this with Paul Graham a few weeks ago, who said that you can set out with the best possible idea, open your door, go outside, and the world changes that idea. And you have to accept that and shift your expectation to accommodate what you observe and evolve with it. What you produce in the end will probably be quite different from the initial idea. This is what photography is about.
via.
via.
segunda-feira, dezembro 30, 2013
Com dedicatória
De morte natural nunca ninguém morreu.
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi só para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio cavo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi. Quando aceitamos como natural,
dentro da ordem das coisas ou dos anjos,
o inominável fim da nossa carne; quando
ante ele nos curvamos como se ele fora
inescapável fome de infinito; quando
vontade o imaginamos de outros deuses
que são rostos de um só; quando que a dor
é um erro humano a que na dor nos damos
porque de nós se perde algo nos outros, vamos
traindo esta ascensão, esta vitória, isto
que é ser-se humano, passo a passo, mais.
A morte é natural na natureza. Mas
nós somos o que nega a natureza. Somos
esse negar da espécie, esse negar do que
nos liga ainda ao Sol, à terra, às águas.
Para emergir nascemos. Contra tudo e além
de quanto seja o ser-se sempre o mesmo
que nasce e morre, nasce e morre, acaba
como uma espécie extinta de outras eras.
Para emergirmos livres foi que a morte
nos deu um medo que é nosso destino.
Tudo se fez para escapar-lhe, tudo
se imaginou para iludi-la, tudo
até coragem, desapego, amor,
tudo para que a morte fosse natural.
Não é. Como, se o fôra, há tantos milhões de anos
a conhecemos, a sofremos, a vivemos,
e mesmo assassinando a não queremos?
Como nunca ninguém a recebeu
senão cansado de viver? Como a ninguém
sequer é concebível para quem lhe seja
um ente amado, um ser diverso, um corpo
que mais amamos que a nós próprios? Como
será que os animais, junto de nós,
a mostram na amargura de um olhar
que lânguido esmorece rebelado?
E desde sempre se morreu. Que prova?
Morrem os astros, porque acabam. Morre
tudo o que acaba, diz-se. Mas que prova?
Só prova que se morre de universo pouco,
do pouco de universo conquistado.
Não há limites para a Vida. Não
aquela que de um salto se formou
lá onde um dia alguns cristais comeram;
nem bem aquela que, animal ou planta,
foi sendo pelo mundo este morrer constante
de vidas que outras vidas alimentam
para que novas vidas surjam que
como primárias células se absorvam.
A Vida Humana, sim, a respirada,
suada, segregada, circulada,
a que é excremento e sangue, a que é semente
e é gozo e é dor e pele que palpita
ligeiramente fria sob ardentes dedos.
Não há limites para ela. É uma injustiça
que sempre se morresse, quando agora
de tanto que matava se não morre.
É o pouco de universo a que se agarram,
para morrer, os que possuem tudo.
O pouco que não basta e que nos mata,
quando como ele a Vida não se amplia,
e é como a pele do ónagro, que se encolhe,
retráctil e submissa, conformada.
É uma injustiça a morte. É cobardia
que alguém a aceite resignadamente.
O estado natural é complacência eterna,
é uma traição ao medo por que somos,
áquilo que nos cabe: ser o espírito
sempre mais vasto do Universo infindo.
O Sol, a Via Láctea, as nebulosas,
teremos e veremos até que
a Vida seja de imortais que somos
no instante em que da morte nos soltamos.
A Morte é deste mundo em que o pecado,
a queda, a falta originária, o mal
é aceitar seja o que for, rendidos.
E Deus não quer que nós, nenhum de nós,
nenhum aceite nada. Ele espera,
como um juiz na meta da corrida
torcendo as mãos de desespero e angústia,
porque nada pode fazer nada e vê
que os corredores desistem, se acomodam,
ou vão tombar exaustos no caminho.
De nós se acresce ele mesmo que será
o espírito que formos, o saber e a força.
Não é nos braços dele que repousamos,
mas ele se encontrará nos nossos braços
quando chegarmos mais além do que ele.
Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste,
a quem te amou, a quem te deu o ser –
não nos aguarda, não. Por cada morte
a que nos entregamos ele se vê roubado,
roído pelos ratos do demónio,
o homem natural que aceita a morte,
a natureza que de morte é feita.
Quando a hora chegar em que já tudo
na terra foi humano — carne e sangue —,
não haverá quem sopre nas trombetas
clamando o globo a um corpo só, informe,
um só desejo, um só amor, um sexo.
Fechados sobre a terra, ela nos sendo
e sendo ela nós todos, a ressurreição
é morte desse Deus que nos espera
para espírito seu e carne do Universo.
Para emergir nascemos. O pavor nos traça
este destino claramente visto:
podem os mundos acabar, que a Vida,
voando nos espaços, outros mundos,
há-de encontrar em que se continui.
E, quando o infinito não mais fosse,
e o encontro houvesse de um limite dele,
a Vida com seus punhos levá-lo-á na frente,
para que em Espaço caiba a Eternidade.
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi só para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio cavo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi. Quando aceitamos como natural,
dentro da ordem das coisas ou dos anjos,
o inominável fim da nossa carne; quando
ante ele nos curvamos como se ele fora
inescapável fome de infinito; quando
vontade o imaginamos de outros deuses
que são rostos de um só; quando que a dor
é um erro humano a que na dor nos damos
porque de nós se perde algo nos outros, vamos
traindo esta ascensão, esta vitória, isto
que é ser-se humano, passo a passo, mais.
A morte é natural na natureza. Mas
nós somos o que nega a natureza. Somos
esse negar da espécie, esse negar do que
nos liga ainda ao Sol, à terra, às águas.
Para emergir nascemos. Contra tudo e além
de quanto seja o ser-se sempre o mesmo
que nasce e morre, nasce e morre, acaba
como uma espécie extinta de outras eras.
Para emergirmos livres foi que a morte
nos deu um medo que é nosso destino.
Tudo se fez para escapar-lhe, tudo
se imaginou para iludi-la, tudo
até coragem, desapego, amor,
tudo para que a morte fosse natural.
Não é. Como, se o fôra, há tantos milhões de anos
a conhecemos, a sofremos, a vivemos,
e mesmo assassinando a não queremos?
Como nunca ninguém a recebeu
senão cansado de viver? Como a ninguém
sequer é concebível para quem lhe seja
um ente amado, um ser diverso, um corpo
que mais amamos que a nós próprios? Como
será que os animais, junto de nós,
a mostram na amargura de um olhar
que lânguido esmorece rebelado?
E desde sempre se morreu. Que prova?
Morrem os astros, porque acabam. Morre
tudo o que acaba, diz-se. Mas que prova?
Só prova que se morre de universo pouco,
do pouco de universo conquistado.
Não há limites para a Vida. Não
aquela que de um salto se formou
lá onde um dia alguns cristais comeram;
nem bem aquela que, animal ou planta,
foi sendo pelo mundo este morrer constante
de vidas que outras vidas alimentam
para que novas vidas surjam que
como primárias células se absorvam.
A Vida Humana, sim, a respirada,
suada, segregada, circulada,
a que é excremento e sangue, a que é semente
e é gozo e é dor e pele que palpita
ligeiramente fria sob ardentes dedos.
Não há limites para ela. É uma injustiça
que sempre se morresse, quando agora
de tanto que matava se não morre.
É o pouco de universo a que se agarram,
para morrer, os que possuem tudo.
O pouco que não basta e que nos mata,
quando como ele a Vida não se amplia,
e é como a pele do ónagro, que se encolhe,
retráctil e submissa, conformada.
É uma injustiça a morte. É cobardia
que alguém a aceite resignadamente.
O estado natural é complacência eterna,
é uma traição ao medo por que somos,
áquilo que nos cabe: ser o espírito
sempre mais vasto do Universo infindo.
O Sol, a Via Láctea, as nebulosas,
teremos e veremos até que
a Vida seja de imortais que somos
no instante em que da morte nos soltamos.
A Morte é deste mundo em que o pecado,
a queda, a falta originária, o mal
é aceitar seja o que for, rendidos.
E Deus não quer que nós, nenhum de nós,
nenhum aceite nada. Ele espera,
como um juiz na meta da corrida
torcendo as mãos de desespero e angústia,
porque nada pode fazer nada e vê
que os corredores desistem, se acomodam,
ou vão tombar exaustos no caminho.
De nós se acresce ele mesmo que será
o espírito que formos, o saber e a força.
Não é nos braços dele que repousamos,
mas ele se encontrará nos nossos braços
quando chegarmos mais além do que ele.
Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste,
a quem te amou, a quem te deu o ser –
não nos aguarda, não. Por cada morte
a que nos entregamos ele se vê roubado,
roído pelos ratos do demónio,
o homem natural que aceita a morte,
a natureza que de morte é feita.
Quando a hora chegar em que já tudo
na terra foi humano — carne e sangue —,
não haverá quem sopre nas trombetas
clamando o globo a um corpo só, informe,
um só desejo, um só amor, um sexo.
Fechados sobre a terra, ela nos sendo
e sendo ela nós todos, a ressurreição
é morte desse Deus que nos espera
para espírito seu e carne do Universo.
Para emergir nascemos. O pavor nos traça
este destino claramente visto:
podem os mundos acabar, que a Vida,
voando nos espaços, outros mundos,
há-de encontrar em que se continui.
E, quando o infinito não mais fosse,
e o encontro houvesse de um limite dele,
a Vida com seus punhos levá-lo-á na frente,
para que em Espaço caiba a Eternidade.
A Morte, o Espaço, a Eternidade. Jorge de Sena.
sábado, dezembro 28, 2013
quarta-feira, dezembro 25, 2013
quarta-feira, novembro 27, 2013
domingo, novembro 24, 2013
quinta-feira, novembro 21, 2013
Os dias côncavos
A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tão feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Herberto Helder
(a carta da paixão), Photomathon & Vox
Assírio & Alvim
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tão feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Herberto Helder
(a carta da paixão), Photomathon & Vox
Assírio & Alvim
sábado, outubro 05, 2013
quarta-feira, agosto 28, 2013
Stanzas, Sexes, Seductions
It’s good to be neuter.
I want to have meaningless legs.
There are things unbearable.
One can evade them a long time.
Then you die.
The ocean reminds me of your green room.
There are things unbearable.
Scorn, princes, this little size
of dying.
My personal poetry is a failure.
I do not want to be a person.
I want to be unbearable.
Lover to lover, the greenness of love.
Cool, cooling.
Earth bears no such plant.
Who does not end up
a female impersonator?
Drink all the sex there is.
Still die.
I tempt you.
I blush.
There are things unbearable.
Legs, alas.
Legs die.
Rocking themselves down,
crazy slow,
some ballet term for it —
fragment of foil, little
spin, little drunk, little do, little oh, alas.
Anne Carson
I want to have meaningless legs.
There are things unbearable.
One can evade them a long time.
Then you die.
The ocean reminds me of your green room.
There are things unbearable.
Scorn, princes, this little size
of dying.
My personal poetry is a failure.
I do not want to be a person.
I want to be unbearable.
Lover to lover, the greenness of love.
Cool, cooling.
Earth bears no such plant.
Who does not end up
a female impersonator?
Drink all the sex there is.
Still die.
I tempt you.
I blush.
There are things unbearable.
Legs, alas.
Legs die.
Rocking themselves down,
crazy slow,
some ballet term for it —
fragment of foil, little
spin, little drunk, little do, little oh, alas.
Anne Carson
sábado, agosto 24, 2013
A universal language
For nineteenth-century positivists, photography doubly fulfilled the Enlightenment dream of a universal language: the universal mimetic language of the camera yielded up a higher, more cerebral truth, a truth that could be uttered in the universal abstract language of mathematics. For this reason, photography could be accommodated to a Galilean vision of the world as a book "written in the language of mathematics." Photography promised more than a wealth of detail; it promised to reduce nature to its geometrical essence.
Allan Sekula. The Body and the Archive. October, 39 (1986); 3-64.
Allan Sekula. The Body and the Archive. October, 39 (1986); 3-64.
domingo, agosto 11, 2013
Movimento
Kazimir Malevich. Black Square on a White Ground, 1915.
É uma obra extremamente corajosa e uma fortíssima pedrada no charco nesta velha
mania que as pessoas têm de que o cinema é movimento. Pois o filme que vi é o movimento por excelência. Porque só a palavra e o pensamento – que não são fixas,
como as pinturas nos quadros e nos museus – são verdadeiro movimento.
Manoel de
Oliveira, no Público de 11 de novembro 2000, sobre "Branca de Neve" de João César Monteiro.
sexta-feira, agosto 09, 2013
Subúrbio dentro de subúrbios
Broken Ground. Ana Catarina Pinho.
As fotografias são elas próprias um subúrbio dentro de subúrbios, uma zona dentro de zonas, nas quais Ana Catarina Pinho desenvolve a percepção de um lugar (da sensação da improbabilidade da mudança expressa nos braços caídos de quase todos os retratos e na ruína?) através do ajuntamento de vários retratos de uma juventude em suspensão, ela própria, na “fronteira” para o futuro de se ser adulto. O objectivo dos retratos leva-nos não para a representação exterior da juventude, mas sim para o seu significado interno, o dos receios e sinais daí manifestados, tais como os recados de papel que Catarina recebe e onde se podem ler pequenos discursos de inquietação, na primeira pessoa. Ana Catarina torna-se mensageira, mas já o era com a fotografia.
Baseada no Porto, Ana Catarina Pinho.
segunda-feira, agosto 05, 2013
From this general turbulence
The Typographische Monatsblätter was one of the most important journals to successfully disseminate the phenomenon of ‘Swiss typography’ to an international audience. With more than 70 years in existence, the journal witnessed significant moments in the history of typography and graphic design. Its contributors include some of the most influential designers. Although the issues before 1960 are extremely rich in revealing the development of modernist typography, the years 1960–90 correspond to a period of transition in which many factors such as technology, socio-political contexts and aesthetic ideologies, profoundly affected and transformed the fields of typography and graphic design. From this general turbulence, new forms emerged and new models were explicitly manifested. The examination of the Typographische Monatsblätter during these specific years enables a greater understanding of the development of late 20th century typography and graphic design.
Talvez o mais interessante seja essa riqueza da visão do conjunto, mas os trabalhos da década de 60 são absolutamente apaixonantes. Typographische Monatsblätter Research Archive, para me perder.
domingo, agosto 04, 2013
sábado, agosto 03, 2013
Meaning
What is new is not that the world lacks meaning, or has little meaning, or less that it used to have; it is that we seem to feel an explicit and intense daily need to give it meaning: to give meaning to the world, not just some village or lineage. This need to give a meaning to the present, if not the past, is the price we pay for the over abundance of events corresponding to a situation we could call 'supermodern' to express its essential quality: excess.
Marc Augé, Non-places: an introduction to supermodernity.
sexta-feira, agosto 02, 2013
An operating code
T. Saul Leiter, 1950.
The fragment is always infinitely more mysterious and suggestive than the whole and the T liberated from whatever dull ordinary thing it was trying to say becomes an operating code, a statement of aesthetic intent, for the images that Leiter would conjure from the chaos of the streets in the decade to come.
via.
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