sexta-feira, março 31, 2006

Espaço para letras

Afinal há mais do que ciência em biomédicas. http://clicbas.blogspot.com/. A prova que pessoas inteligentes ligadas à ciência, aos hospitais e a essas coisas raramente poéticas, se às vezes belas, também sabem reconhecer boas tradições colectivas, que eu às tantas nem sabia que tinha. Os meus parabéns para eles, gente boa, muito boa. E cheia de sonhos, palavras e bem mais do que dois dedos de testa.


Godspeed you.

Frases que buscam o sono

Dois textos que escrevi não sei bem porquê, em dois bocados, nos intervalos de outras coisas talvez, quase de certeza, mais importantes. Acho que é bem capaz de ter saído uma xaropada de série b, mas mais vale enfiar aqui do que na gaveta.


31 fachadas

Talvez hoje não seja o dia certo para chorar. Apanhei o metro e fui tirar fotos a fachadas para aquele trabalho da faculdade, mas esqueci-me de esvaziar o cartão de memória antes de sair de casa, o que é um drama tecnológico. Tragédia urbana. Não queria apagar nenhuma, por isso comprei uma máquina descartável de 32 fotos, daquelas mesmo manhosas. Assim, se saírem todas uma merda, posso fazer disso um manifesto. “A destruição do fim pelo meio”, soa a arquitectura de fachadas moderna, sensível e em contacto com a degradação urbanística que assalta o nosso centro histórico. Mas hoje não é o dia certo para chorar.

Também tirei fotos a uns putos que estavam na Trindade a comer gelados. Um tempo de caca, o céu todo cinzento, guarda-chuvas debaixo dos braços e os putos ali sentados a comer gelados, ralados com tudo menos com o mundo que ficava fora daqueles sundaes de chocolate (ou de caramelo? um pelo menos havia ser). O mais gordito estava a contar piadas muito porcas, acho que falava alto de propósito, só para chocar as pessoas que passavam. Um erro do inocente, já ninguém se incomoda nas nossas cidades. E os outros riam, deslizavam uns para cima dos outros. Mas de certeza que a foto também vai ficar uma porcaria, como as das fachadas, não havia luz. Mas eu estava lá, eu vi, hoje não é o dia certo para chorar.

Finalmente começou a chover, os putos ficaram até acabar o gelado, rasparam o fundo com a colher de plástico e depois correram por ali abaixo.Havia um comboio que não se importa muito com a chuva em S. Bento, e putos têm sempre onde estar àquela hora, a qualquer hora. Acho que não caíram, não escorregaram no chão molhado pela chuva, afinal aquele não era o dia certo para chorar.


Ideias novas (sobre coisas velhas)

Talvez eu fosse mais bonita se te largasse o braço, se fugisse, se tu fosses para o mundo experimentar o que é isso de ser livre e não ter ninguém para amar. Talvez aí (e só por estares sozinho) tu ainda me achasses diferente, interessante, talvez ainda achasses piada à forma como risco os guardanapos enquanto espero pelo café.

É que a solidão tem dessas coisas. Ou pensavas que ser livre e não ter ninguém para amar era um estado de graça alimentado pela possibilidade imaginária, mas teoricamente possível, de potencialmente te apaixonares pelo mundo todo (ou por quem queres, o que é quase a mesma coisa). Não. Isso de ser livre e não ter ninguém para amar é para um tipo de corajosos sobre os quais tu apenas soubeste pelos livros que a tua avó te lia enquanto a tua mãma trabalhava mais do que devia para poder ter o orgulho de ser uma competente mãe solteira. (E depois, quando chegava a casa, quando pensava que estavas a dormir, ela chorava, e foi assim que tu soubeste que jamais, alguma vez na vida estarias sozinho, sem ninguém).

E pensavas tu que agora não estavas sozinho, mas apenas livre. Sabes meu querido, não há diferença. Nesse dia, depois de eu te largar o braço, tu vais sentir que o mundo balança. Talvez porque quem largou fui eu, talvez porque há uma diferença entre mergulhar e ser empurrado e tu sabes. Ias voltar para os teus amigos da faculdade, mais os seus jantares, viagens à neve, dinheiro dos papás, conversas vazias sobre coisas supostamente inteligentes como política, economia e spreads, o ocasional jogo de squash, uma queca arrancada a ferros numa qualquer discoteca da moda, se é que isso ainda existe. E depois? Sempre que visses uma merda de um guardanapo sujo ias lembrar-te de mim, talvez naquele café ranhoso onde vais tomar a tua meia de leite todas as manhãs antes de ires para o escritório.

Infelizmente, meu cabrão, o braço que fugiu foi o teu. Meteste a mão ao bolso e desapareceste. E depois vi-te no outro dia, a sair de uma loja na baixa, parecias feliz, estavas a falar ao telemóvel com aquela voz de quem tem bem mais para mostrar do que um rabo jeitoso, estavas mais magro, parecias uns dez anos mais novo do que eu.

Mas eu nunca vi a minha mãe a chorar. Na semana em que me explicaste o que era isso de ter um prazo de validade, troquei de carro, mudei de sítio o sofá da sala e continuei a riscar guardanapos. No outro dia, o João – qualquer dia falo-te dele – pegou na tua foto e perguntou, Quem é este? E só me deu vontade de rir. Porque guardo a tua foto? Tu é que te esqueceste de a levar.

quarta-feira, março 22, 2006

Cat Power






















Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

Melt me down
Into big black armour
Leave no trace of grace
Just in your honour
Lower me down
To culprit south
Make 'em wash a space in town
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling

Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

"The Greatest", de Cat Power (ou Chan Marshall), primeira faixa do álbum The Greatest. Só ainda ouvi esta, que anda on repeat vá eu para onde for. Mais aqui.

domingo, março 19, 2006

Depois e agora

Lembram-se do Tsunami?

Um blog muito interessante, Warshooter. Estas fotos estavam nesta galeria.

E agora que já perceberam do que estamos a falar, esta foto é a melhor:

E foi daqui que eu roubei isto.

quinta-feira, março 16, 2006

Publicidade

O meu local de trabalho está a promover-se.

Que amor... assim até parece uma coisa chique.

domingo, março 12, 2006

"Entendimentos alargados"

No Público, a propósito da posse do Presidente da República, um artigo muito engraçado chamado O baile do hemiciclo, escrito por Paulo Moura, acaba assim:

Por cima deles, um dos panos dos artistas de Serralves diz: "O artista será confrontado com o político e com o sábio. O artista será louvado. Os outros serão excluídos."

30 segundos

Encontro imediato com o novo brinquedo do meu pai (que ele insiste, é uma ferramenta essencial de trabalho, e não, a outra já não servia). Como a ferramenta de trabalho tem muitos botões, é isto que obtemos. O título da minha obra de arte, em jeito de profeta chinês, é: "Se fotografias queres tirar, o modo totalmente automático vais usar".

sábado, março 04, 2006

Música para anúncios


Helping the kids out of their coats
But wait, the babies haven't been born
Unpacking the bags and setting up
And planting lilacs and buttercups

But in the meantime I've got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay

Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old

I gotta a man to stick it out
And make a home from a rented house
And we'll collect the moments one by one
I guess that's how the future's done

How many acres how much light
Tucked in the woods and out of sight
Talk to the neighbours and tip my cap
On a little road barely on the map

Old dirt road
Knee deep snow
Watching the fire as we grow old

Old dirt road
Rambling rose
Watching the fire as we grow well I'm sold

Mushaboom, de Feist, tirado do álbum Let It Die.

Uma surpresa descobrir que afinal não é uma banda, é só uma senhora com muitos e bons ammigos com quem colaborar (a propósito, parece que vem aí novo álbum - e eu ainda agora estou a descobrir este...). Atenção, por exemplo, a estes amigos dela. Mais uma vez, agradeçam ao tufão que se dá pelo nome Arcade Fire.

P.S.: obrigado pela dica à menina dos livros, "afinal é do anúncio da Lacoste".

sexta-feira, março 03, 2006

quarta-feira, março 01, 2006

See No Evil

















"Corruption charges. Corruption? Corruption ain't nothing more than government intrusion into market efficiencies in the form of regulation. That's Milton Friedman. He's got a god-damn Nobel Prize. We have laws against is precisely so we can get away with it. Corruption is our protection! Corruption is what keeps us safe and warm. Corruption is why you and I are here in the white-hot center of things instead of fighting each other for scraps of meat out there in the streets. Corruption is how we win. "
















"You're the Canadian. "

Syriana. Melhor que o Traffic, não acharam?