Dina Litovsky.
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
terça-feira, dezembro 25, 2012
Dignity
My pictures reflect on this absurd situation, the relationship between the characters and the space around them symbolize the grotesque nature of that location. By taking out a stagelike part of the space and by the positioning the character in it we get a vision of a dystopian world where people don’t need to think independently. In this dystopia people are virtual accessories in their living spaces, they are not the ones who form their environment, but they are formed by their environment.
Mate Moro.
segunda-feira, dezembro 24, 2012
sexta-feira, dezembro 14, 2012
domingo, dezembro 02, 2012
The Quiet World
In an effort to get people to look
into each other’s eyes more,
and also to appease the mutes,
the government has decided
to allot each person exactly one hundred
and sixty-seven words, per day.
When the phone rings, I put it to my ear
without saying hello. In the restaurant
I point at chicken noodle soup.
I am adjusting well to the new way.
Late at night, I call my long distance lover,
proudly say I only used fifty-nine today.
I saved the rest for you.
When she doesn’t respond,
I know she’s used up all her words,
so I slowly whisper I love you
thirty-two and a third times.
After that, we just sit on the line
and listen to each other breathe.
Jeffrey McDaniel
in "The Forgiveness Parade" (Manic D Press, 1998)
into each other’s eyes more,
and also to appease the mutes,
the government has decided
to allot each person exactly one hundred
and sixty-seven words, per day.
When the phone rings, I put it to my ear
without saying hello. In the restaurant
I point at chicken noodle soup.
I am adjusting well to the new way.
Late at night, I call my long distance lover,
proudly say I only used fifty-nine today.
I saved the rest for you.
When she doesn’t respond,
I know she’s used up all her words,
so I slowly whisper I love you
thirty-two and a third times.
After that, we just sit on the line
and listen to each other breathe.
Jeffrey McDaniel
in "The Forgiveness Parade" (Manic D Press, 1998)
segunda-feira, novembro 26, 2012
Da transparência
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres
Sophia de Mello Breyner
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres
Sophia de Mello Breyner
quarta-feira, novembro 21, 2012
People are afraid to merge on the freeway
She laughs and looks out the window and I think for a minute that she's going to start to cry. I'm standing by the door and I look over at the Elvis Costello poster, at his eyes, watching her, watching us, and I try to get her away from it, so I tell her to come over here, sit down, and she thinks I want to hug her or something and she comes over to me and puts her arms around my back and says something like 'I think we've all lost some sort of feeling'.
Less Than Zero, Bret Easton Ellis (Simon & Schuster, 1985).
Less Than Zero, Bret Easton Ellis (Simon & Schuster, 1985).
domingo, novembro 18, 2012
terça-feira, novembro 13, 2012
sábado, outubro 20, 2012
O quarto
Morrer, porém, não é fácil,
ficam sombras nem sequer as nossas,
e a nossa voz fala-nos
numa língua estrangeira.
Apaga a luz e vira-te para o outro lado
e acorda amanhã como novo,
barba impecavelmente feita,
o dia um sonho sólido onde a noite se limpa e se deita.
Como se Desenha uma Casa (Assírio & Alvim, 2011).
Manuel António Pina, 1943-2012.
ficam sombras nem sequer as nossas,
e a nossa voz fala-nos
numa língua estrangeira.
Apaga a luz e vira-te para o outro lado
e acorda amanhã como novo,
barba impecavelmente feita,
o dia um sonho sólido onde a noite se limpa e se deita.
Como se Desenha uma Casa (Assírio & Alvim, 2011).
Manuel António Pina, 1943-2012.
quarta-feira, outubro 17, 2012
Every night it's straight and narrow
Filmore Jive.
Pavement, Crooked Rain, Crooked Rain (Matador, 1994).
segunda-feira, outubro 15, 2012
Pouco ou nenhum uso para gestos de pouca ou nenhuma glória
Quero que se foda o sublime. A minuciosa construção do absoluto literário. Assim sem emendas e em rigoroso vernáculo, parece-me mais exacto. Quero que se foda o sublime (desculpem-me a repetição). Prefiro portas fechadas, casas destruídas, chaves de pouco ou nenhum uso para gestos de pouca ou nenhuma glória que são o absoluto onde me posso sentar para beber mais um copo deste vinho que te pinta os lábios e te acende nos olhos esse fulgor de luz, esse pulsar de salto, onde me lanço para voltar ou não voltar, mas ter cumprido do sangue o impulso. Quero que se foda o sublime (começa a saber-me bem repeti-lo, o ritmo sincopado conjugado com a limpidez expressiva). Estou a falar contigo, a viver contigo, a morrer contigo. Estou a dizer-te ama comigo, sofre comigo, morre comigo um pouco mais devagar.
Jorge Roque, Canção da Vida (Averno, 2012).
via José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel
Jorge Roque, Canção da Vida (Averno, 2012).
via José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel
quinta-feira, outubro 11, 2012
quarta-feira, outubro 10, 2012
segunda-feira, outubro 08, 2012
Adeus Professor
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
Lágrima de Preta, António Gedeão.
Nuno Grande, 1932 - 2012.
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
Lágrima de Preta, António Gedeão.
Nuno Grande, 1932 - 2012.
sexta-feira, outubro 05, 2012
O país da não-inscrição
Significa isto que a vida portuguesa não comporta verdadeira tragédia. Se a morte nela não se inscreve, se não há morte trágica, nenhum outro acontecimento conseguirá realmente produzir sentido. Porque a morte, como acontecimento irremediável e necessariamente trágico (ontologicamente trágico, como des-inscrição radical de uma existência na vida), deve inscrever-se na vida para que esta se torne possível e faça sentido para os vivos.
José Gil; Portugal Hoje: o Medo de Existir (Relógio D'Água, 2004).
José Gil; Portugal Hoje: o Medo de Existir (Relógio D'Água, 2004).
sábado, setembro 29, 2012
Long enough and just so long
as freedom is a breakfastfood
or truth can live with right and wrong
or molehills are from mountains made
—long enough and just so long
will being pay the rent of seem
and genius please the talentgang
and water most encourage flame
as hatracks into peachtrees grow
or hopes dance best on bald men’s hair
and every finger is a toe
and any courage is a fear
—long enough and just so long
will the impure think all things pure
and hornets wail by children stung
or as the seeing are the blind
and robins never welcome spring
nor flatfolk prove their world is round
nor dingsters die at break of dong
and common’s rare and millstones float
—long enough and just so long
tomorrow will not be too late
worms are the words but joy’s the voice
down shall go which and up come who
breasts will be breasts thighs will be thighs
deeds cannot dream what dreams can do
—time is a tree(this life one leaf)
but love is the sky and i am for you
just so long and long enough
E.E. Cummings
or truth can live with right and wrong
or molehills are from mountains made
—long enough and just so long
will being pay the rent of seem
and genius please the talentgang
and water most encourage flame
as hatracks into peachtrees grow
or hopes dance best on bald men’s hair
and every finger is a toe
and any courage is a fear
—long enough and just so long
will the impure think all things pure
and hornets wail by children stung
or as the seeing are the blind
and robins never welcome spring
nor flatfolk prove their world is round
nor dingsters die at break of dong
and common’s rare and millstones float
—long enough and just so long
tomorrow will not be too late
worms are the words but joy’s the voice
down shall go which and up come who
breasts will be breasts thighs will be thighs
deeds cannot dream what dreams can do
—time is a tree(this life one leaf)
but love is the sky and i am for you
just so long and long enough
E.E. Cummings
segunda-feira, setembro 10, 2012
Invisíveis sombras
Invisíveis sombras entre nós
a casa das coisas.
Invisíveis como a nossa
visível obstinação.
Um pouco de luz nos faz pender
para um dos lados.
Uma luz que não sabemos.
Uma luz que invisíveis sombras
lança
entre nós a casa as coisas
e nos faz pender para um lado
um dos lados
o lado que não sabemos
dessa luz que nos conhece.
Pedro Mexia, Senhor Fantasma (Asa, 2007).
a casa das coisas.
Invisíveis como a nossa
visível obstinação.
Um pouco de luz nos faz pender
para um dos lados.
Uma luz que não sabemos.
Uma luz que invisíveis sombras
lança
entre nós a casa as coisas
e nos faz pender para um lado
um dos lados
o lado que não sabemos
dessa luz que nos conhece.
Pedro Mexia, Senhor Fantasma (Asa, 2007).
quinta-feira, setembro 06, 2012
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