segunda-feira, fevereiro 11, 2013

terça-feira, dezembro 25, 2012

Dignity



My pictures reflect on this absurd situation, the relationship between the characters and the space around them symbolize the grotesque nature of that location. By taking out a stagelike part of the space and by the positioning the character in it we get a vision of a dystopian world where people don’t need to think independently. In this dystopia people are virtual accessories in their living spaces, they are not the ones who form their environment, but they are formed by their environment.

Mate Moro.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

White noise



White noise #16
2011, 80x100cm, c-print

Sander Meisner

domingo, dezembro 02, 2012

The Quiet World

In an effort to get people to look
into each other’s eyes more,
and also to appease the mutes,
the government has decided
to allot each person exactly one hundred  
and sixty-seven words, per day.

When the phone rings, I put it to my ear  
without saying hello. In the restaurant  
I point at chicken noodle soup.
I am adjusting well to the new way.

Late at night, I call my long distance lover,  
proudly say I only used fifty-nine today.  
I saved the rest for you.

When she doesn’t respond,
I know she’s used up all her words,  
so I slowly whisper I love you
thirty-two and a third times.
After that, we just sit on the line  
and listen to each other breathe.

Jeffrey McDaniel
in "The Forgiveness Parade" (Manic D Press, 1998)

segunda-feira, novembro 26, 2012

Relacionado com o anterior

João César Monteiro filma Sophia em 1969.


Da transparência

Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, novembro 13, 2012

So we can shut the door



Home.
LCD Soundsystem, This Is Happening (DFA, 2010).

sábado, outubro 20, 2012

O quarto

Morrer, porém, não é fácil,
ficam sombras nem sequer as nossas,
e a nossa voz fala-nos
numa língua estrangeira.

Apaga a luz e vira-te para o outro lado
e acorda amanhã como novo,
barba impecavelmente feita,
o dia um sonho sólido onde a noite se limpa e se deita.


Como se Desenha uma Casa (Assírio & Alvim, 2011).

Manuel António Pina, 1943-2012.

quarta-feira, outubro 17, 2012

Every night it's straight and narrow



Filmore Jive.
Pavement, Crooked Rain, Crooked Rain (Matador, 1994).

segunda-feira, outubro 15, 2012

Pouco ou nenhum uso para gestos de pouca ou nenhuma glória

Quero que se foda o sublime. A minuciosa construção do absoluto literário. Assim sem emendas e em rigoroso vernáculo, parece-me mais exacto. Quero que se foda o sublime (desculpem-me a repetição). Prefiro portas fechadas, casas destruídas, chaves de pouco ou nenhum uso para gestos de pouca ou nenhuma glória que são o absoluto onde me posso sentar para beber mais um copo deste vinho que te pinta os lábios e te acende nos olhos esse fulgor de luz, esse pulsar de salto, onde me lanço para voltar ou não voltar, mas ter cumprido do sangue o impulso. Quero que se foda o sublime (começa a saber-me bem repeti-lo, o ritmo sincopado conjugado com a limpidez expressiva). Estou a falar contigo, a viver contigo, a morrer contigo. Estou a dizer-te ama comigo, sofre comigo, morre comigo um pouco mais devagar.


Jorge Roque, Canção da Vida (Averno, 2012).

via José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel

quinta-feira, outubro 11, 2012

Rock and roll can never die.



Hey Hey, My My.
Neil Young, Rust Never Sleeps (Reprise, 1979).

segunda-feira, outubro 08, 2012

Adeus Professor

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Lágrima de Preta, António Gedeão.

Nuno Grande, 1932 - 2012.

sexta-feira, outubro 05, 2012

O país da não-inscrição

Significa isto que a vida portuguesa não comporta verdadeira tragédia. Se a morte nela não se inscreve, se não há morte trágica, nenhum outro acontecimento conseguirá realmente produzir sentido. Porque a morte, como acontecimento irremediável e necessariamente trágico (ontologicamente trágico, como des-inscrição radical de uma existência na vida), deve inscrever-se na vida para que esta se torne possível e faça sentido para os vivos.


José Gil; Portugal Hoje: o Medo de Existir (Relógio D'Água, 2004).

sábado, setembro 29, 2012

Long enough and just so long

as freedom is a breakfastfood
or truth can live with right and wrong
or molehills are from mountains made
—long enough and just so long
will being pay the rent of seem
and genius please the talentgang
and water most encourage flame

as hatracks into peachtrees grow
or hopes dance best on bald men’s hair
and every finger is a toe
and any courage is a fear
—long enough and just so long
will the impure think all things pure
and hornets wail by children stung

or as the seeing are the blind
and robins never welcome spring
nor flatfolk prove their world is round
nor dingsters die at break of dong
and common’s rare and millstones float
—long enough and just so long
tomorrow will not be too late

worms are the words but joy’s the voice
down shall go which and up come who
breasts will be breasts thighs will be thighs
deeds cannot dream what dreams can do
—time is a tree(this life one leaf)
but love is the sky and i am for you
just so long and long enough


E.E. Cummings

segunda-feira, setembro 10, 2012

Invisíveis sombras

Invisíveis sombras entre nós
a casa das coisas.
Invisíveis como a nossa
visível obstinação.
Um pouco de luz nos faz pender
para um dos lados.
Uma luz que não sabemos.

Uma luz que invisíveis sombras
lança
entre nós a casa as coisas
e nos faz pender para um lado
um dos lados
o lado que não sabemos
dessa luz que nos conhece.


Pedro Mexia, Senhor Fantasma (Asa, 2007).